Grupo online de Interpretação de sonhos
10 meses
Próxima turma: 04/02/2007

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Dia 30 de Janeiro de 2000 começamos nosso primeiro curso sobre sonhos na Web. Na verdade, criamos uma lista de discussão que funcionava como sala de aula, e semanalmente enviávamos material teórico para os alunos, além de símbolos que nos remetem a situações específicas na análise dos sonhos.O material foi enviado todos os domingos, e durante a semana, os alunos enviaram os sonhos que gostariam que fossem discutidos, e ali mesmo, se procedeu a análise.

No dia 09 de Outubro estaremos começando um novo curso. Nosso décimo sétimo curso de sonhos online.
  Duração: 10 meses = 1 aula semanal 

1. Glossário de termos junguianos 
2. Introdução ao estudo dos sonhos 
O Papel dos Sonhos no Mundo Antigo e nas Religiões 
3. Freud, Jung e os Sonhos 
Amplificação e redução 
4. As raízes dos sonhos 
Os Diferentes Níveis de Sonhos 
A Estrutura dos Sonhos 
Os Símbolos 
A Pluralidade dos Conteúdos dos sonhos 
5.  Recordação e Registro dos Sonhos 
6. Interpretando os Sonhos 
A amplificação dos Sonhos 
. Associações pessoais 
. Associações culturais 
. Associações arquetípicas 
Associações naturais 
A estrutura Dramática 
A Compensação nos Sonhos 
Ótica objetiva e ótica subjetiva 
7. Como o Ego e os Complexos aparecem retratados em Sonhos 
Persona 
Sombra 
Anima/animus 
Eixo ego/simesmo 
 8. Um mapa do Processo de Individuação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Esse foi nosso primeiro sonho interpretado em sala de aula:
O SONHO: "Estávamos eu e você na sua casa, havia decidido levar até você, aquela minha cliente que é tão complicada e dependente, cheguei a conclusão que você poderia dar à ela uma orientação mais específica através do estudo do mapa astrológico dela, com o seu famoso método "Acorda Alice"  Bom, ela chegou e pediu que eu ficasse junto com ela, você começou a interpretar o mapa dela, e como eu imaginava que seria, foi mais uma das sessões "Acorda Alice", dando uma boa sacudida nela e uma chamada a realidade. Ela foi embora, e ficamos conversando sobre o efeito que suas palavras tinham tido sobre ela, e chegamos a conclusão de que tinha ficado meio atordoada, mas que você sentiu que o que você falou fez com que ela enxergasse ou pelo menos começasse a questionar as atitudes dela. Que você tinha certeza de que ela voltaria, mas que sentia uma necessidade de ser dura com ela, para poder ajudá-la. Nesse momento, fomos caminhando para um outro quarto na sua casa, que na realidade não existe, mas que no sonho existia, lá tinha um armário de mogno escuro, que tomava toda a parede que ficava em frente a porta, eu me sentei no chão encostada no armário. Você ficou na porta conversando comigo de pé, de repente você olhou para mim e me disse, tem alguma coisa estranha saindo do seu ouvido, era o esquerdo, e você começava a puxar, primeiro saia um urso de pelúcia bege do tamanho de uma mão, o mais interessante é que ao mesmo tempo que eu estava sentada no chão eu também observava da porta no mesmo angulo que você estava, depois várias bonecas do estilo barbie, todas com roupinhas bem coloridas, mas predominava as cores azul, branco e principalmente vermelho, depois saía uns negócios que pareciam aquelas bolas de meia, que os meninos usam para jogar futebol, só que ao invés de redonda, era como se tivessem pego a bola e amarrado no meio ficando assim como duas bolas,
eu ficava muito espantada sem entender e você só dizia para mim como aquilo era estranho, e que a impressão que você tinha é que tinham feito aquilo escondido de mim para atrapalhar minha vida,  que você conseguia ver que tinha mais coisas, mas não ia dar para sair tudo naquela hora, só um pouco mais tarde, pois agora a gente precisava conversar e chegar a uma conclusão do que era aquilo, quem tinha feito aquilo e porque."

a interpretação:
 Vamos ao sonho.:

aluna: "Estávamos eu e você na sua casa, havia decidido levar até você, aquela minha cliente que é tão complicada e dependente, cheguei a conclusão que você poderia dar à ela uma orientação mais específica através do estudo do mapa astrológico dela, com o seu famoso método "Acorda Alice".
C.A = Vale lembrar que as pessoas do mesmo sexo que nós que aparecem em nossos sonhos, normalmente representam aspectos de nós mesmos que não estão conscientes. Assim, poderíamos chamar essas pessoas de representativas de nossa sombra.
Nesse caso então, o problema não seria "aquela cliente complicada" e deveríamos fazer uma leitura como "aquele meu aspecto complicado" que seria bom receber uma orientação mais específica.
Para que a análise fosse mais acurada, seria interessante sabermos :
1. o que você pensa dessa cliente
2. emocionalmente, o que sente em relação a essa cliente
3. se acredita que essa cliente será capaz de "acordar"
4. Se consegue perceber nessa cliente alguma atitude que se parece com atitudes suas
5. Se acredita que uma leitura de mapa por mim poderia ajudá-la ( à você) em sua caminhada

aluna : Bom, ela chegou e pediu que eu ficasse junto com ela,
C.A = Isso quereria representar que a sombra está sentindo necessidade de fazer parte de você, atuar junto a você, e isso é muito bom, pois prenuncia a possibilidade de integração da sombra.

 Aluna : você começou a interpretar o mapa dela, e como eu imaginava que seria, foi mais uma das sessões "Acorda Alice", dando uma boa sacudida nela e uma chamada a realidade.
 C.A = Vemos que seu inconsciente acredita e tem fé, de que você ainda será capaz de reconhecer esse aspecto de sombra. Que a sombra não seguirá atuando de maneira autônoma sempre, pois ela está se amarrando à você. Se tornando próxima de você, exigindo a presença do seu ego consciente, qual seja, se preparando para uma integração ao complexo do ego. 
 
Aluna: Ela foi embora, e ficamos conversando sobre o efeito que suas palavras tinham tido sobre ela, e chegamos a conclusão de que tinha ficado meio atordoada, mas que você sentiu que o que você falou fez com que ela enxergasse ou pelo menos começasse a questionar as atitudes dela. Que você tinha certeza de que ela voltaria, mas que sentia uma necessidade de ser dura com ela, para poder ajudá-la.
C.A = aqui está demonstrado claramente o quanto a nível consciente, você entende porque muitas vezes tenho que ser dura com você. Que você percebe que se eu sempre for mansa e afetuosa, sem apontar "onde o bicho pega", não estarei colaborando para seu crescimento, ao contrário, estarei lhe prejudicando. Mas está claro também, que existe uma parte sua que fica atordoada com isso, pois não seria isso o que gostaria de ouvir.

Aluna:  Nesse momento, fomos caminhando para um outro quarto na sua casa, que na realidade não existe, mas que no sonho existia, lá tinha um armário de mogno escuro, que tomava toda a parede que ficava em frente a porta, eu me sentei no chão encostada no armário.
C. A = No seu caso específico fica muito fácil imaginar que cômodo seria esse. Por inúmeras vezes você demonstrou o interesse de ser minha analisanda e eu sempre lhe repeti que posso ajudá-la em nossas conversas, mas que jamais poderia tê-la como minha paciente, pois somos muito próximas uma da outra e estou certa você não saberia fazer a distinção entre a atuação da profissional e a da amiga .
Esse quarto que não existe, é o set analítico, mas no sonho ele existe, pois "extra oficialmente, ou seja, em espaços subjetivos , e o sonho é um deles" , acabo dando uma de terapeuta com você e buscando escarafuchar seu mundo interior.
O armário geralmente simboliza aspectos nossos bem escondidos, aspectos muito íntimos e que não gostamos de expor ao mundo. Esse espaço é escuro, ainda não foi colocado luz sobre ele, ainda não veio para a consciência. Além do mais ele é de mogno, é de madeira de lei, durável e está muito estruturado, não será facilmente destruído.
Você se encosta nele, pois ele é o seu ponto de entrave, e que lhe deixa "encostada", inativa, sem partir para a ação direta. Sentada e esperando a solução. Está claro que é para aí que precisa apontar a arma.


Aluna: Você ficou na porta conversando comigo de pé,
C.A = Essa é a realidade, eu não me sentei para discutir isso com você, eu busco não discutir com você. Essa é a maneira como me coloco com relação ao seu inconsciente, eu fico parada na porta e de pé. Buscando conversar com você e lhe incentivar a entrar nele, mas evitando entrar, pois não cabe a mim esse papel, e sim a uma terapeuta que possa acompanhá-la e não tenha os vínculos de amizade que tenho com você.


Aluna: de repente você olhou para mim e me disse, tem alguma coisa estranha saindo do seu ouvido, era o esquerdo, e você começava a puxar,
C.A = o ouvido esquerdo está ligado ao hemisfério cerebral direito, o responsável pelas emoções. Havia algo saindo do seu campo emocional. Algo que a consciência está buscando se descartar. Eu procurava ajudá-la a tirar isso que provavelmente já não servia mais para essa sua etapa de vida. Sempre busco apontar sua imaturidade a nível emocional.

 Aluna: primeiro saia um urso de pelúcia bege do tamanho de uma mão, o mais interessante é que ao mesmo tempo que eu estava sentada no chão eu também observava da porta no mesmo angulo que você estava, depois várias bonecas do estilo barbie, todas com roupinhas bem coloridas, mas predominava as cores azul, branco e principalmente vermelho, depois saía uns negócios que pareciam aquelas bolas de meia, que os meninos usam para jogar futebol, só que ao invés de redonda, era como se tivessem pego a bola e amarrado no meio ficando assim como duas bolas,
C.A = Observa que os "conteúdos " que estavam sendo retirados, eram conteúdos infantis, que não servem para uma vida adulta. O fato de estar sentada no chão e ao mesmo tempo assistindo, mostra que ainda há uma parte sua que está passiva, ela não está atuante. Apenas observa e se espanta. Nenhuma das duas partes está me ajudando a retirar esses conteúdos, ambas estão em posição de expectativa, passivas. É necessário dar movimento a elas, elas precisam participar do processo. Com relação a bola de meia que se repartem em duas bolas, isso me faz lembrar o saco genital masculino. Você associaria essa imagem a que? não é apenas a minha associação que vale, mas a sua também. Me parece que existem conteúdos de animus para serem retirados que estão infantilizados, não são verdadeiros, são como bolas de meia que as crianças brincam. Quanto as Barbies de roupa colorida, elas também estariam se reportando a aspectos seus. É interessante observar as cores das roupas: azul, branco e vermelho.  Essas cores estão associadas na alquimia a importantes estágios alquímicos: a rubedo e a solutio (vermelho e azul), e o branco, a uma das fases da operação alquímica que deixa antever a possibilidade de "cura" , a albedo.
A matéria prima é encontrada no estágio do negrume, ela é a sombra, a nigredo. Mais tarde, quando os conteúdos da matéria já estão sendo separados, ela adquire a cor branca, a albedo, ainda está numa fase indistinguível, mas pronta para vivenciar as operações que virão a transformá-la no ouro alquímico. A fase final, quando a obra está pronta, é a rubedo, e a cor é o vermelho.
Kielowsky inclusive, fez três lindos filmes que abordam esses três estágios ou operações alquímicas. A série de filmes, ele deu o nome de Trois couleurs: bleu, blanc, rouge. E os filmes se chamavam: 1. a liberdade é Azul = que se reportava a operação da solutio, a operação pela água, onde o que é atacado é o lado emocional.
2. A Igualdade é branca = que falava da albedo, do impasse para a transformação em algo novo e insuspeitado naquele momento. 3. A Fraternidade é Vermelha= que fala da queima pelo fogo e do batismo de sangue, operação essa que o motor propulsor é a paixão, a intensidade do calor interior. As emoções são queimadas e levadas ao seu extremo, até que incineradas no fogo delas mesmas até a exaustão. A cena da calcinatio é um leão e um lobo famintos, buscando se
devorar. O lobo representa nossos apetites infantis famintos.
Vou enviar para vocês a simbologia do leão e do lobo, e aproveitar, enviar também a do urso. A alquimia trabalha muito e sempre com imagens de animais, que são representativos de nossos instintos. Aluna: eu ficava muito espantada sem entender e você só dizia para mim como aquilo era estranho, e que a impressão que você tinha é que tinham feito aquilo escondido de mim para atrapalhar minha vida,  C.A = Está claro que esses conteúdos foram "enfiados" em você ao longo da vida. E também está claro que eles atrapalham a orientação consciente, e também está claro que você tem eles como escondidos pois ainda não está conseguindo enxergá-los com clareza, embora eles estejam lá ( em seu inconsciente).

Aluna: que você conseguia ver que tinha mais coisas, mas não ia dar para sair tudo naquela hora, só um pouco mais tarde, pois agora a gente precisava conversar e chegar a uma conclusão do que era aquilo, quem tinha feito aquilo e porque."
C.A = Mas é assim mesmo que se processa a coisa: Não dá para livrar o outro de tudo de uma só vez. A "coisa" não pode sair à força e nem com base num entendimento intelectual dela. Tem que ser pouco a pouco, e fruto de muita conversa, para que a relação emocional com ela vá sendo transformada e a pessoa seja liberada "dela". Até porque, ela não é para ser descartada, mas transformada, atualizada em idade e maturidade e integrada à personalidade consciente. Isso demora um tempo. Me conselho continua sendo no sentido de que procure um terapeuta competente. Nós já sabemos que a "coisa"está lá, mas alguém poderia ajudá-la a entrar em contato honesto com ela.

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